Da série “brasileiro gosta de sofrer”, que Lula vai se reeleger é quase inquestionável já o retorno de Marconi Perillo ao centro do tabuleiro político goiano é sofrimento em dobro. E Marconi começa a ganhar contornos reais. O ex-governador, filiado ao PSDB — mesmo partido do atual vice-presidente e antigo aliado do Lula, reapareceu pela primeira vez na liderança das intenções de voto para o Governo de Goiás nas eleições de 2026.
Segundo levantamento do instituto Exata.GO, Marconi registra 33,05% das intenções, superando o atual vice-governador Daniel Vilela (MDB), que aparece com 28,7% e conta com o apoio direto do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). Em terceiro lugar surge o senador Wilder Morais (PL), com 8,4%, ainda distante dos dois primeiros colocados.
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O dado chama atenção não apenas pela liderança de Marconi, mas pelo simbolismo político do momento. Após quatro mandatos como governador e anos fora do protagonismo eleitoral, o tucano demonstra que mantém um capital político relevante, mesmo carregando o peso de uma gestão marcada por polêmicas, desgaste e críticas persistentes.
Esse desgaste aparece claramente no índice de rejeição. A pesquisa mostra que Marconi lidera também a rejeição, com 20,4%, número bem superior ao de Daniel Vilela, que registra 8%. Ainda assim, mais da metade dos entrevistados (51,5%) afirmaram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados, o que indica um eleitorado ainda aberto e em fase de observação.
O cenário revela uma disputa polarizada entre passado e continuidade. De um lado, Marconi representa a memória de um ciclo político longo e controverso; do outro, Daniel Vilela tenta se consolidar como herdeiro do projeto de Caiado, que hoje governa com alta aprovação.
A pesquisa também avaliou a preferência dos goianos para a Presidência da República. O governador Ronaldo Caiado lidera com 35,9%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 27,4%. O presidente Lula aparece em terceiro, com 14,5%, indicando que, em Goiás, o eleitorado mantém forte inclinação à direita e ao campo conservador.
Em síntese, o levantamento mostra que Marconi Perillo está, sim, de volta ao jogo. Resta saber se sua liderança inicial será suficiente para superar a alta rejeição e resistir ao peso da máquina estadual e ao discurso de renovação que seus adversários certamente explorarão até 2026.
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