O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu nesta terça-feira (28) manter o sigilo de 100 anos imposto pela Polícia Federal aos registros de visitas recebidas por Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, durante os três meses em que o banqueiro ficou detido em uma sala na Superintendência da PF, em Brasília.
A decisão, revelada pela coluna de Malu Gaspar no O Globo, veio após recurso baseado na Lei de Acesso à Informação (LAI). O Ministério da Justiça alegou que a divulgação revelaria "aspectos da vida privada" de Vorcaro e de quem o visitou, incluindo "vínculos familiares, afetivos, sociais ou profissionais". Segundo o parecer da Ouvidoria do órgão, "não bastam alegações genéricas relacionadas à notoriedade do custodiado, ao interesse social nas investigações ou à relevância pública dos fatos"
Em outras palavras: o governo Lula considera que o interesse público em saber quem frequentou a sala de um banqueiro investigado por um esquema bilionário de fraudes, manipulação de mercado e organização criminosa — envolvendo até tentativas de intimidar jornalistas como a própria Malu Gaspar — é insuficiente para romper o muro de silêncio. A lista só será pública em 2126.
O pedido de acesso nasceu de rumores de que advogados ligados a políticos teriam visitado Vorcaro com frequência, irritando investigadores da PF. Vorcaro estava na carceragem da corporação enquanto tentava negociar delação premiada. Depois de duas tentativas frustradas, foi transferido para a Papudinha.
O pedido de acesso nasceu de rumores de que advogados ligados a políticos teriam visitado Vorcaro com frequência, irritando investigadores da PF. Vorcaro estava na carceragem da corporação enquanto tentava negociar delação premiada. Depois de duas tentativas frustradas, foi transferido para a Papudinha.
Mais uma vez, o governo petista escolhe o caminho da opacidade. Em um caso que já expôs tentativas de calar a imprensa, invasão de dados sigilosos e possíveis articulações políticas, o Ministério da Justiça prefere proteger a "intimidade" de um investigado de alto perfil a garantir o direito da sociedade de saber quem transitava por ali. Transparência vira detalhe. Sigilo de um século vira regra.
Sob Lula, a Lei de Acesso à Informação parece cada vez mais uma peça decorativa quando o assunto toca interesses que o Palácio do Planalto prefere manter longe dos holofotes.

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