Por Alex Blau Blau
A atuação de grileiros voltou a preocupar as autoridades ambientais e de fiscalização do Distrito Federal após novos registros apontarem a tentativa de ocupação irregular de uma área protegida nas proximidades do antigo Lixão da Estrutural. Mesmo depois de uma grande operação que removeu construções precárias e desfez centenas de demarcações clandestinas, invasores retornaram ao local para organizar um novo parcelamento ilegal.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um homem identificado como Eliseu Martins Viana convocando pessoas interessadas em participar da ocupação. Nas gravações, ele afirma que o grupo já mantém presença na área há cerca de um mês e diz que colchões deixados no local serviriam para demonstrar que o espaço estaria sendo "guardado" até a chegada de novos ocupantes.
Durante a gravação, o homem orienta os participantes a comparecerem preparados para abrir novos acessos dentro da área e afirma que, posteriormente, cada pessoa receberia a indicação do terreno que ocuparia. Em outra conversa gravada, um segundo integrante explica como seria realizada a divisão dos lotes entre os interessados.
O terreno fica em uma região ambientalmente protegida, localizada entre a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e a Floresta Nacional de Brasília, onde qualquer ocupação ou parcelamento do solo depende de autorização dos órgãos competentes.
Outro áudio atribuído ao grupo chama a atenção por mencionar uma suposta estratégia para enfrentar futuras fiscalizações. Na gravação, um dos envolvidos afirma acreditar que contará com apoio para tentar impedir novas ações de retirada dos invasores, além de eventual busca por medidas judiciais. As declarações, contudo, não possuem comprovação oficial.
Recentemente, equipes do DF Legal realizaram uma operação de grande porte na mesma região. A ação resultou na retirada de 36 estruturas improvisadas de lona e madeira, na remoção de aproximadamente dez quilômetros de cercas utilizadas para demarcar áreas e na descaracterização de cerca de 500 lotes abertos irregularmente.
Mesmo após a intervenção, denúncias recebidas pelos órgãos responsáveis indicaram que grupos voltaram a ocupar parte da área. Por esse motivo, o local permanece sob monitoramento permanente para impedir o avanço de novas invasões e garantir a preservação ambiental.
Os registros mais recentes também revelam indícios da preparação de um novo loteamento clandestino, como a abertura de caminhos em meio à vegetação, limpeza do terreno e instalação de estruturas provisórias, sinais frequentemente associados ao início de ocupações ilegais.
A reincidência das invasões reforça a preocupação com a ação de grupos organizados que atuam na grilagem de terras públicas no Distrito Federal, especialmente em áreas ambientalmente sensíveis, onde os impactos provocados pela ocupação irregular podem comprometer a preservação do meio ambiente e dificultar futuras ações de recuperação da região.

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