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Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
Coronel reformado condenado por corrupção recebeu salário durante período em que esteve foragido
Policial

Coronel reformado condenado por corrupção recebeu salário durante período em que esteve foragido

Registros oficiais apontam que militar aposentado continuou recebendo remuneração mensal até ser localizado e preso nesta segunda-feira

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Por Alex Blau Blau

O coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues permaneceu recebendo remuneração como militar da reserva mesmo durante o período em que era considerado foragido da Justiça. A informação consta em registros públicos do Portal da Transparência do Distrito Federal e voltou a ganhar repercussão após a prisão do condenado, realizada nesta segunda-feira.

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De acordo com os dados oficiais, o militar recebeu, neste ano, remuneração líquida próxima de R$ 25 mil mensais. Em um dos meses, os valores foram acrescidos por verbas previstas na legislação, entre elas pagamentos relacionados ao décimo terceiro salário e férias.

Francisco Eronildo foi condenado por participação em um esquema de corrupção investigado durante a Operação Mamon. As apurações concluíram que ele participou de um esquema de cobrança de vantagens indevidas em contratos destinados à manutenção de viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal, além de irregularidades em procedimentos licitatórios.

A condenação, que inicialmente ultrapassava 70 anos de prisão, foi posteriormente reduzida para 54 anos pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Após o trânsito da decisão, o oficial não se apresentou para iniciar o cumprimento da pena e passou a ser considerado foragido.

O paradeiro do militar foi descoberto durante uma operação realizada por equipes da Companhia de Policiamento Especializado da Polícia Militar de Goiás, que efetuaram a prisão em uma propriedade localizada entre os municípios de Águas Lindas de Goiás e Girassol.

Durante a ação policial, foram apreendidas três armas de fogo que estavam em posse do condenado, entre elas um revólver e duas espingardas equipadas com acessórios de precisão.

O caso também chama atenção pelo fato de o oficial ter passado para a reserva remunerada em 2018, quando recebeu valores referentes às verbas decorrentes da aposentadoria, incluindo indenizações previstas na legislação militar.

Até o momento, a Polícia Militar do Distrito Federal não informou se a condenação criminal e a condição de foragido poderiam produzir efeitos sobre a remuneração recebida pelo militar reformado. O espaço segue aberto para que a corporação apresente esclarecimentos sobre a manutenção dos pagamentos e eventuais providências administrativas relacionadas ao caso.

A prisão encerra quase três anos de buscas pelo condenado, mas o caso ainda poderá gerar desdobramentos administrativos quanto à situação funcional e aos benefícios percebidos pelo militar reformado.

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