Por Alex Blau Blau
O coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal Francisco Eronildo Feitosa Rodrigues permaneceu recebendo remuneração como militar da reserva mesmo durante o período em que era considerado foragido da Justiça. A informação consta em registros públicos do Portal da Transparência do Distrito Federal e voltou a ganhar repercussão após a prisão do condenado, realizada nesta segunda-feira.
De acordo com os dados oficiais, o militar recebeu, neste ano, remuneração líquida próxima de R$ 25 mil mensais. Em um dos meses, os valores foram acrescidos por verbas previstas na legislação, entre elas pagamentos relacionados ao décimo terceiro salário e férias.
Francisco Eronildo foi condenado por participação em um esquema de corrupção investigado durante a Operação Mamon. As apurações concluíram que ele participou de um esquema de cobrança de vantagens indevidas em contratos destinados à manutenção de viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal, além de irregularidades em procedimentos licitatórios.
A condenação, que inicialmente ultrapassava 70 anos de prisão, foi posteriormente reduzida para 54 anos pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Após o trânsito da decisão, o oficial não se apresentou para iniciar o cumprimento da pena e passou a ser considerado foragido.
O paradeiro do militar foi descoberto durante uma operação realizada por equipes da Companhia de Policiamento Especializado da Polícia Militar de Goiás, que efetuaram a prisão em uma propriedade localizada entre os municípios de Águas Lindas de Goiás e Girassol.
Durante a ação policial, foram apreendidas três armas de fogo que estavam em posse do condenado, entre elas um revólver e duas espingardas equipadas com acessórios de precisão.
O caso também chama atenção pelo fato de o oficial ter passado para a reserva remunerada em 2018, quando recebeu valores referentes às verbas decorrentes da aposentadoria, incluindo indenizações previstas na legislação militar.
Até o momento, a Polícia Militar do Distrito Federal não informou se a condenação criminal e a condição de foragido poderiam produzir efeitos sobre a remuneração recebida pelo militar reformado. O espaço segue aberto para que a corporação apresente esclarecimentos sobre a manutenção dos pagamentos e eventuais providências administrativas relacionadas ao caso.
A prisão encerra quase três anos de buscas pelo condenado, mas o caso ainda poderá gerar desdobramentos administrativos quanto à situação funcional e aos benefícios percebidos pelo militar reformado.

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