Por Alex Blau Blau
O Distrito Federal atravessa um momento que exige atenção redobrada das autoridades. A sequência recente de ocorrências envolvendo pessoas em situação de rua começa a provocar inquietação entre moradores e coloca diante do poder público o desafio de evitar que episódios pontuais se transformem em uma sensação generalizada de insegurança.
A preocupação ganha relevância porque Brasília acumulou avanços importantes na segurança pública nos últimos anos. Durante a gestão de Sandro Avelar à frente da Secretaria de Segurança Pública, a integração entre as forças, o investimento em inteligência e o fortalecimento das ações preventivas ajudaram a consolidar uma estrutura que apresentou resultados positivos.
Preservar esse caminho passa agora a ser uma das responsabilidades da atual gestão da pasta, comandada por Alexandre Patury.
O secretário reconheceu que existe uma minoria entre as pessoas em situação de rua envolvida reiteradamente em crimes. Segundo Patury, há indivíduos que acumulam sucessivas prisões e acabam retornando às ruas em razão das limitações impostas pela legislação.
“Somos escravos da lei”, declarou o secretário ao abordar as dificuldades enfrentadas pelas forças policiais e pelo próprio sistema de Justiça.
Casos recentes aumentam preocupação
A declaração ocorre após episódios que chamaram a atenção da população. Entre eles está a agressão contra uma criança de 5 anos, atingida com um chute na cabeça. O suspeito também é apontado como responsável por uma agressão anterior contra uma menina de 11 anos.
É necessário separar a vulnerabilidade social da prática criminosa. Pessoas em situação de rua não podem ser responsabilizadas coletivamente pelas atitudes de alguns indivíduos. Isso, porém, não diminui a necessidade de atuação firme quando houver ameaça ou violência.
A governadora Celina Leão colocou em funcionamento um protocolo de internação involuntária para os casos permitidos pela legislação. A iniciativa prevê atuação conjunta das áreas de segurança pública, saúde e assistência social.
Preservar avanços é o desafio
O novo protocolo representa uma alternativa, mas sua efetividade dependerá da capacidade de transformar procedimentos em resultados concretos nas ruas.
A população espera acolhimento para quem necessita de assistência e tratamento, mas também quer segurança para caminhar, trabalhar e utilizar os espaços públicos sem medo.
O momento, portanto, pede atenção para que o legado construído na segurança pública não comece a perder força. Mais do que apontar responsáveis, o cenário exige integração, acompanhamento dos reincidentes e respostas capazes de impedir que a preocupação atual se transforme em uma percepção permanente de insegurança no Distrito Federal.

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