Por Alex Blau Blau
A composição da chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) para a eleição ao Governo de São Paulo enfrenta um novo impasse político. A oficialização do vereador Djalma Nery (PSol) como primeiro suplente da candidatura de Marina Silva (Rede) ao Senado provocou forte reação do PDT, que cobra maior participação na aliança e ameaça lançar candidatura própria caso permaneça sem espaço.
A decisão foi confirmada durante a convenção da federação PSol-Rede, realizada no último domingo (26), quando também foi ratificado o apoio à candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.
Embora a suplência seja um cargo pouco conhecido pelo eleitorado, ela é considerada estratégica pelos partidos. Aliados avaliam que Marina Silva poderá integrar um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hipótese que abriria caminho para que o primeiro suplente assumisse o mandato no Senado.
Foi justamente esse cenário que intensificou a disputa nos bastidores. O PDT defendia a indicação do sindicalista Antonio Neto para a vaga e afirma que participou das negociações com a expectativa de integrar a chapa majoritária.
Além da suplência de Marina, a legenda também buscava espaço na candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado. Entretanto, a tendência é que a vaga fique com o advogado Laio Morais, integrante do PT e ex-chefe de gabinete de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.
Sem contemplação nas negociações, dirigentes pedetistas passaram a discutir a possibilidade de lançar um candidato próprio ao Senado. A medida poderia alterar a estratégia eleitoral da base de Haddad e reduzir a unidade construída entre os partidos de centro-esquerda.
Integrantes do PDT sustentam que a legenda possui presença consolidada em São Paulo, com maior número de lideranças municipais e representação nacional superior à de alguns dos partidos que já garantiram espaço na chapa.
Pela configuração atualmente desenhada, o PT ficaria com a candidatura ao governo e uma suplência ao Senado; o PSB teria Simone Tebet como candidata ao Senado e Márcio França como candidato a vice-governador; enquanto a federação PSol-Rede ocuparia a outra vaga ao Senado com Marina Silva e a primeira suplência com Djalma Nery.
Nos bastidores, lideranças governistas seguem negociando uma saída para evitar o desgaste entre os aliados e impedir um racha às vésperas da campanha eleitoral. Até o momento, porém, a composição permanece inalterada, e o PDT mantém a pressão por uma revisão dos acordos políticos.

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