Por Alex Blau Blau
Documentos de controle de acesso da Câmara dos Deputados revelam que Sidney Santos, conhecido como “Kiko” e apontado como motorista do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, realizou visitas a quatro gabinetes parlamentares em fevereiro de 2024. Os registros foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
De acordo com os documentos, Sidney informou na portaria que tinha como destino os gabinetes dos deputados Geraldo Mendes, conhecido como Homem do Chapéu (União-PR), Benes Leocádio (União-RN), Pedro Westphalen (PP-RS) e Sanderson (PL-RS).
As entradas foram registradas em datas diferentes ao longo daquele mês. A primeira ocorreu em 7 de fevereiro, no gabinete de Geraldo Mendes. No dia seguinte, foi registrada visita ao gabinete de Benes Leocádio. Em 15 de fevereiro, o motorista apareceu nos registros vinculados ao gabinete de Pedro Westphalen e, cinco dias depois, ao de Sanderson.
O nome de Sidney Santos também aparece em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada às investigações envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Embora citado no contexto da apuração, o motorista não é investigado.
Segundo a decisão judicial, Sidney foi responsável por transportar rascunhos de projetos de lei entre a residência de Ciro Nogueira e um escritório indicado por Daniel Vorcaro. As propostas tratavam da regulamentação do mercado de créditos de carbono, tema que, segundo as investigações, interessava ao empresário Henrique Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master.
O documento do STF também menciona que Daniel Vorcaro teria orientado cuidados para evitar que o transporte dos papéis pudesse ser associado ao parlamentar ou ao Banco Master.
Procurados para comentar os registros, os deputados Pedro Westphalen e Sanderson afirmaram não ter recebido Sidney Santos em seus gabinetes. Sanderson declarou desconhecer o motorista e afirmou que sua agenda oficial não registra qualquer reunião com ele.
Já Pedro Westphalen informou que seu gabinete não localizou registros internos da visita e destacou que o controle realizado na portaria da Câmara apenas registra a entrada do visitante, sem confirmar que ele tenha efetivamente chegado ao gabinete ou sido recebido pelo parlamentar.
Até o momento, os demais deputados citados nos registros não divulgaram posicionamento público sobre as visitas. Também não há informação de que a circulação de Sidney Santos pelos gabinetes, por si só, constitua irregularidade ou faça parte de investigação direcionada aos parlamentares mencionados. O caso segue inserido no contexto das apurações que envolvem Daniel Vorcaro e sua relação com agentes políticos.

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