A ANM (Agência Nacional de Mineração) lançou, nesta quarta-feira (14), uma plataforma de inteligência de mercado que reúne informações detalhadas sobre a mineração brasileira, desde a localização de ocorrências minerais até dados de produção, faturamento, comércio exterior e geração de empregos.
Batizada de MCE 360, a ferramenta integra bases de dados de diferentes órgãos do governo federal e permite traçar um raio-X da atividade mineral no país, com informações sobre 24 substâncias minerais críticas e estratégicas, além de indicadores gerais da economia mineral.
O portal apresenta mapas interativos que mostram onde os minerais são encontrados no território brasileiro, a localização de áreas em pesquisa e de atividades de lavra, além de informações sobre investimentos e produção.
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Entre os diferenciais está a possibilidade de analisar a estrutura econômica das cadeias minerais. A plataforma disponibiliza dados de exportações e importações e indicadores que mostram quanto a transformação mineral representa no faturamento associado a cada commodity.
Na prática, as informações permitem avaliar não apenas quanto o Brasil extrai e comercializa de determinado mineral, mas também a participação das atividades de transformação na receita da cadeia produtiva.
Os indicadores são particularmente relevantes para a discussão sobre agregação de valor aos minerais críticos, em um momento em que o governo busca ampliar o processamento e a industrialização dessas matérias-primas no território nacional.
Minerais críticos e estratégicos
A plataforma reúne painéis específicos sobre 24 substâncias, incluindo ferro, cobre, ouro, lítio, grafita, nióbio e terras raras, minerais utilizados em diferentes setores industriais, como siderurgia, energia, tecnologia e fabricação de equipamentos eletrônicos.
Os usuários podem consultar informações sobre a distribuição geográfica dessas substâncias, áreas de pesquisa mineral, produção e comércio exterior.
O sistema permite acompanhar diferentes etapas da atividade mineral, desde a identificação de ocorrências geológicas e o desenvolvimento de pesquisas até a produção. A existência de uma ocorrência, no entanto, não significa necessariamente que haja uma reserva economicamente viável para exploração.
Reservas, produção e comércio internacional
A plataforma também permite comparar a posição do Brasil no mercado mineral global, reunindo informações sobre reservas e produção de diferentes substâncias em outros países.
Os indicadores mostram quanto cada país possui em reservas minerais e seus respectivos volumes de produção, permitindo avaliar a importância do Brasil no fornecimento internacional de matérias-primas estratégicas.
O sistema também disponibiliza dados de exportações, importações e preços médios dos produtos minerais comercializados, organizados conforme a Nomenclatura Comum do Mercosul.
Com isso, é possível comparar o potencial mineral brasileiro com o de outros produtores, acompanhar a participação do país no mercado internacional e identificar diferenças entre a disponibilidade de reservas e a produção efetiva de cada substância.
Mercado de trabalho
Outro eixo da plataforma é o mercado de trabalho na mineração. O sistema reúne informações sobre número de empregos, remuneração, escolaridade dos trabalhadores e distribuição geográfica da força de trabalho.
O levantamento também permite identificar municípios com maior concentração de trabalhadores e comparar indicadores de remuneração e qualificação profissional.
A centralização das informações busca facilitar o acesso de investidores, empresas, pesquisadores e gestores públicos a dados que ajudam a compreender a estrutura e o desempenho econômico da mineração brasileira.
O lançamento ocorre menos de um mês depois da sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabeleceu instrumentos para incentivar investimentos e ampliar a agregação de valor à produção mineral brasileira.
