Por Alex Blau Blau
O Distrito Federal escolhe neste domingo (25) seu próximo governador em uma eleição marcada por episódios de tensão entre os dois candidatos. A atual governadora Celina Leão (PP), que tenta permanecer no cargo, enfrenta Leandro Grass (PT), ex-deputado distrital que busca assumir o comando do Palácio do Buriti.
A campanha do segundo turno foi além das discussões sobre saúde, segurança, educação e infraestrutura. Nas últimas semanas, os adversários recorreram à Justiça Eleitoral para contestar propagandas, declarações e materiais divulgados durante a disputa.
Um dos episódios ocorreu em 14 de outubro, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou que um integrante da campanha de Celina deixasse de compartilhar um vídeo manipulado por inteligência artificial.
O conteúdo utilizava uma voz artificial para atribuir a Grass declarações sobre temas como escolas cívico-militares e a construção do Museu da Bíblia. A Justiça considerou, em decisão preliminar, que as falas apresentadas não correspondiam a declarações efetivamente feitas pelo candidato. Foi prevista multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
A campanha da governadora também procurou o TRE-DF após a circulação de panfletos distribuídos em uma atividade de Grass na Asa Norte. O material associava Celina ao número 22, utilizado pelo candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL), embora a identificação eleitoral correta da governadora seja 11.
Acusações chegaram à Polícia Federal
Outro capítulo da disputa ocorreu em 21 de outubro, quando Leandro Grass apresentou uma notícia-crime eleitoral à Polícia Federal contra Celina Leão.
O petista alegou que declarações da governadora durante uma entrevista teriam associado sua imagem à possibilidade de violência contra mulheres. Na avaliação do candidato, as afirmações ultrapassaram os limites da crítica eleitoral.
O pedido foi encaminhado para apuração de uma possível prática de injúria eleitoral. A apresentação da denúncia, entretanto, não representa comprovação de crime.
Celina também obteve uma decisão favorável no TRE-DF. Na quinta-feira (22), a Justiça Eleitoral concedeu à governadora direito de resposta contra uma propaganda da campanha de Grass.
O material afirmava que Celina e seu candidato a vice, Gustavo Rocha (Republicanos), haviam recebido pessoalmente recursos do banqueiro Daniel Vorcaro e de empresas citadas na propaganda.
O magistrado responsável entendeu que não havia comprovação documental do recebimento direto dos valores pelos candidatos. A decisão garantiu à chapa um minuto de resposta no rádio e outro na televisão.
Debates ampliaram divergências
Os encontros entre os candidatos também provocaram atritos. Após um debate, Celina anunciou que não participaria de novas discussões com Grass, alegando interrupções e ataques pessoais.
O adversário criticou a decisão e questionou a ausência da governadora em outros encontros realizados na reta final da campanha.
Com o encerramento da disputa, a decisão passa aos eleitores do Distrito Federal. A votação ocorre das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, e inclui também a escolha do presidente da República.
O resultado definirá quem administrará a capital federal a partir de janeiro de 2027, após uma campanha marcada por divergências políticas, acusações e intervenções da Justiça Eleitoral.

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