Uma condenação que remonta a 2018 voltou ao centro da disputa política do Rio de Janeiro justamente quando Anthony Garotinho se preparava para disputar novamente o Governo do Estado. Em 11 de agosto de 2026, o juiz Ricardo Cyfer, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Rio, determinou o cumprimento da sentença que prevê a suspensão dos direitos políticos do ex-governador por oito anos e comunicou a decisão ao TRE-RJ e ao TSE.
O que chama atenção no episódio é o momento em que a sentença passa a ser efetivamente executada. A condenação havia sido proferida em 2018 e Garotinho foi escolhido pelo Republicanos para disputar o governo fluminense em julho de 2026. Agora, a poucos meses das eleições, a decisão volta a ameaçar diretamente seu projeto eleitoral.
A defesa contesta justamente esse ponto. Segundo o advogado Admar Gonzaga, o trânsito em julgado juridicamente teria ocorrido em 1º de agosto de 2018, o que faria com que os oito anos de suspensão terminassem em 31 de julho de 2026. Por essa interpretação, a execução determinada agora não poderia produzir uma nova suspensão por mais oito anos. A defesa afirma ainda que a questão da elegibilidade deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral.
O processo envolve uma condenação por improbidade relacionada a um suposto esquema de desvio de recursos da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006. O valor originalmente apontado de R$ 234,4 milhões foi atualizado para aproximadamente R$ 2,55 bilhões em ressarcimento ao erário. Também foram calculados cerca de R$ 778 mil de multa civil e R$ 11,9 milhões por danos morais coletivos.
A situação, portanto, não está encerrada do ponto de vista eleitoral. A decisão judicial determinou a comunicação aos tribunais eleitorais, mas caberá à Justiça Eleitoral analisar os efeitos da condenação sobre o registro da candidatura. Em outras palavras, o episódio abre uma nova batalha jurídica justamente no momento em que a sucessão estadual começa a ganhar força.
O caso levanta uma pergunta que agora deverá ser respondida nos tribunais: por que uma condenação existente desde 2018 tem sua execução determinada somente agora, depois de o político anunciar uma nova candidatura ao governo estadual? A resposta dependerá da interpretação jurídica sobre o trânsito em julgado e o início da contagem da suspensão dos direitos políticos — questão que a defesa de Garotinho já contesta e que deverá ser submetida à análise da Justiça Eleitoral.
