Por Alex Blau Blau
O governo federal colocou em prática uma nova etapa do programa Brasil Soberano com o anúncio de um pacote de R$ 18,5 bilhões destinado ao fortalecimento das empresas brasileiras atingidas pelas recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. A iniciativa foi apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta feira, 22 de julho, como resposta aos impactos esperados sobre diversos segmentos da economia.
Os recursos serão destinados principalmente à ampliação das linhas de crédito para empresas exportadoras e setores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país. Do valor total, R$ 13,5 bilhões terão origem no Tesouro Nacional, enquanto R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Além das empresas diretamente afetadas pela tarifa adicional de 25 por cento aplicada pelos Estados Unidos, o programa também atenderá setores prejudicados por conflitos internacionais e cadeias produtivas consideradas essenciais para a economia brasileira.
Estão entre os beneficiados segmentos como siderurgia, alumínio, indústria automotiva, madeira, máquinas, equipamentos, papel, açúcar, plásticos, produtos cerâmicos e calçados. O plano também alcança áreas estratégicas como fertilizantes, indústria farmacêutica, tecnologia, equipamentos elétricos, minerais críticos, borracha, produtos eletrônicos e o setor têxtil.
Empresas que mantêm operações comerciais com países do Golfo Pérsico também poderão acessar as linhas de financiamento previstas na medida, em razão dos reflexos provocados pelo cenário internacional sobre as exportações brasileiras.
As operações de crédito terão taxas de juros entre 3 por cento e 9,80 por cento ao ano. A distribuição dos recursos será definida por um comitê específico, responsável por estabelecer os critérios de atendimento e as cotas destinadas a cada segmento econômico.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de mil empresas exportadoras poderão ser contempladas pelo programa, que busca preservar empregos, estimular investimentos e reduzir os impactos provocados pelas restrições comerciais.
Durante o lançamento do pacote, o presidente Lula reafirmou que o Brasil seguirá defendendo uma solução negociada com os Estados Unidos, mantendo abertas as tratativas diplomáticas. Ao mesmo tempo, destacou que o governo pretende ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais, reduzindo a dependência das vendas para o mercado norte americano.
As medidas entram em vigor em um momento de preocupação do setor produtivo. Com a aplicação das novas tarifas pelos Estados Unidos, o governo estima que as exportações brasileiras possam registrar perdas de até 11 bilhões de dólares, cenário que reforçou a necessidade da adoção de medidas de apoio à economia nacional.

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