O padre Luiz Augusto Ferreira da Silva firmou um acordo com o Ministério Público de Goiás (MP-GO) para devolver R$ 1.397.086,14 aos cofres públicos, após ser investigado por ocupar um cargo fantasma na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) por quase 20 anos. O valor será pago em 48 parcelas. Além disso, ele deverá arcar com uma multa civil de R$ 46.500, dividida em 10 vezes.
A ação por improbidade administrativa foi iniciada em 2015. Segundo o MP, o padre obteve enriquecimento ilícito superior a R$ 3 milhões ao receber salários enquanto não exercia atividades no Legislativo goiano. O órgão afirma que houve “lesão ao patrimônio público” e violação de princípios constitucionais, como legalidade, moralidade e eficiência.
Luiz Augusto tornou-se servidor da Alego em 1980. Após sua ordenação sacerdotal, em 1995, ele deixou de exercer funções no órgão, mas continuou recebendo remuneração mensal de R$ 11.803, até o início das investigações. Em 2015, a Justiça determinou o bloqueio de bens do padre e, no mesmo ano, ele foi exonerado. Em 2017, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) condenou o religioso a devolver cerca de R$ 1,3 milhão. No entanto, a decisão foi parcialmente revista em 2019.
Mais de dez pessoas também respondem ao processo. Em julho, dois outros envolvidos, Euclides de Oliveira Franco, ex-chefe do padre na Alego, e o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Sindisleg), assinaram acordo e irão ressarcir individualmente o valor de R$ 84.861,19.
Outros acordos anteriores previam devoluções entre R$ 34 mil e R$ 355 mil, além de multas. Apenas um dos réus ainda não firmou acordo com o MP até esta quarta-feira (6).
Atualmente, o padre Luiz Augusto é pároco da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia. Por meio de nota, a paróquia informou que não irá se manifestar sobre o caso, mas se colocou à disposição para tratar de pautas relacionadas à atuação pastoral do religioso.
