Por Alex Blau Blau
A Polícia Federal tem em mãos conversas atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger. O material passou a integrar uma investigação que busca esclarecer suspeitas de tráfico de influência e possíveis articulações para facilitar interesses privados junto ao governo federal.
Os diálogos indicam que os dois conversavam sobre negócios e reuniões envolvendo pessoas que ocupavam posições próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os investigadores agora procuram determinar a natureza dessas relações e se houve alguma utilização irregular de influência.
Em uma conversa de março de 2024, aparecem referências a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então integrante do gabinete presidencial, e Swedenberger Barbosa, que ocupava a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.
A investigação também analisa a relação financeira entre Roberta e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ela teria recebido aproximadamente R$ 1,5 milhão do empresário.
Uma das movimentações contém uma referência ao “filho do rapaz”, expressão cujo significado está sendo analisado pelos investigadores diante da possibilidade de relação com Lulinha.
Telebras aparece em conversas
Outro trecho atribuído a Lulinha e Roberta menciona Fernando Bittar, ex sócio do filho do presidente.
Segundo o conteúdo investigado, Roberta teria afirmado que Bittar utilizava o nome de Lulinha durante uma tentativa de negociação relacionada à Telebras. O filho do presidente teria questionado se essa informação já havia sido desmentida.
A Polícia Federal também apura a relação entre Roberta e Marcola, incluindo pagamentos e a aquisição de joias. A defesa do ex integrante do gabinete presidencial sustenta que os valores estavam relacionados a um empréstimo particular posteriormente quitado.
Defesa questiona investigação e vazamentos
A defesa de Lulinha rejeita qualquer suspeita de atuação irregular. Segundo os advogados, Fábio Luís reside na Espanha e trabalha exclusivamente com atividades privadas, sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro.
Os defensores afirmam ainda que as informações bancárias e fiscais analisadas não apresentaram provas de irregularidades.
Também houve críticas à divulgação parcial das mensagens. Os advogados anunciaram que pedirão investigação sobre possíveis vazamentos de informações protegidas por sigilo e afirmaram que somente apresentarão uma manifestação completa depois de conhecer todo o material reunido pelas autoridades.
As conversas permanecem sob análise da Polícia Federal e ainda deverão ser confrontadas com outros elementos da investigação. Até o momento, as suspeitas apuradas não representam conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

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