Por Alex Blau Blau
Uma proposta do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê autorizar a entrega de armas adquiridas pela internet diretamente na residência do comprador, reacendeu o debate sobre o combate ao tráfico internacional de armamentos. Especialistas alertam que a medida pode facilitar o desvio de fuzis para o mercado ilegal e, consequentemente, fortalecer o arsenal de facções criminosas brasileiras, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
A proposta integra um pacote de mudanças elaborado pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos Estados Unidos, que busca flexibilizar regras adotadas na gestão anterior. Pela nova modalidade, o comprador não precisaria mais retirar a arma presencialmente em uma loja, desde que cumpra rigorosos procedimentos de identificação digital, videoconferência e checagem de antecedentes criminais.
O governo norte-americano sustenta que o novo modelo mantém, e até amplia, os mecanismos de segurança para impedir fraudes. Segundo a agência responsável, o processo continuará exigindo consulta ao sistema nacional de antecedentes, autenticação em múltiplos fatores e confirmação da identidade do comprador.
Apesar dessas garantias, entidades que defendem maior controle sobre armas avaliam que a retirada presencial representa uma etapa adicional de segurança e que sua eliminação pode abrir novas brechas para desvios por intermediários conhecidos como “laranjas”, responsáveis por adquirir armas legalmente para abastecer o mercado clandestino.
Levantamentos sobre o tráfico internacional mostram que os Estados Unidos continuam sendo uma das principais origens dos fuzis apreendidos com organizações criminosas brasileiras. Dados do Instituto Sou da Paz apontam que, entre 2019 e 2023, 738 dos fuzis identificados em apreensões no Brasil foram fabricados em território norte-americano, número superior ao de armas produzidas no próprio país.
A proposta ainda não entrou em vigor e seguirá em consulta pública antes de uma eventual aprovação definitiva. Enquanto isso, o debate permanece em meio ao endurecimento da política do governo norte-americano contra o PCC e o Comando Vermelho, classificados recentemente pelos Estados Unidos como organizações terroristas.

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