Por Alex Blau Blau
O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, teve uma semana movimentada, marcada por entrevistas, encontros institucionais e declarações contundentes sobre segurança pública, Justiça e os desafios enfrentados pelo país.
Pré-candidato a deputado federal pelo União Brasil, Avelar tem defendido que questões envolvendo instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) não podem ser analisadas a partir de conveniências partidárias.
Para ele, a indignação diante de uma crise institucional precisa ser a mesma independentemente de quem esteja envolvido ou de qual seja o espectro político.
A postura também acompanha uma das marcas de sua trajetória na segurança pública: a defesa de uma atuação integrada entre diferentes instituições e sem barreiras ideológicas.
Durante sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, Avelar esteve à frente de iniciativas voltadas ao combate à criminalidade, ao uso de tecnologia na segurança e à proteção de vítimas de violência.
Entre as ações de maior destaque está a ampliação do Viva Flor, dispositivo destinado a mulheres vítimas de violência doméstica que permite o acionamento emergencial da Polícia Militar por meio de tecnologia de localização.
O programa ganhou força durante sua gestão e passou a permitir que mulheres em situação de risco pudessem sair de uma delegacia já com o equipamento de proteção, graças à integração entre Segurança Pública, Poder Judiciário e Ministério Público.
Em entrevista, Avelar ressaltou a dimensão alcançada pela iniciativa.
“Quando eu cheguei na Secretaria, em 2023, só tinha 189 mulheres que estavam sendo monitoradas através desse dispositivo. Hoje são mais de duas mil.”
Para o ex-secretário, a política de proteção precisa atuar antes que a violência chegue ao extremo.
“Policiólogos” entram no debate
Durante participação no CABECAST, em entrevista à jornalista Francine Marques, Avelar também falou sobre a experiência necessária para discutir segurança pública.
A entrevista contou com a participação da coronel Maria Costa, presidente da CABE da Polícia Militar do Distrito Federal, instituição que mantém uma estrutura de benefícios e serviços destinados aos integrantes da família policial militar.
Foi justamente a coronel Maria Costa quem fez uma observação que chamou atenção ao mencionar a presença cada vez maior dos chamados “policiólogos” no debate sobre segurança pública.
A expressão foi utilizada para fazer uma distinção entre aqueles que discutem segurança apenas no campo teórico e profissionais que efetivamente viveram a rotina operacional, administrativa e estratégica das forças de segurança.
Avelar, por sua vez, lembrou sua experiência à frente da SSP-DF e também sua atuação em âmbito nacional.
Ele foi presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública por duas vezes. Segundo relatou, na primeira eleição foi escolhido pelos colegas e, na segunda, acabou sendo aclamado para permanecer na presidência.
“Eu estava conseguindo fazer com que todos os 27 secretários de segurança pública, independentemente de serem secretários de governo de esquerda ou de direita, que a gente alinhasse os nossos discursos.”
A defesa de Avelar é de que segurança pública não pode ser tratada como uma pauta exclusiva de determinado grupo político.
“A segurança é para todos.”
Feminicídio exige prevenção, repressão e educação
Em outra entrevista, desta vez à Rádio Metrópoles, no programa Os Canecas da Notícia, apresentado por Toninho Pop, Francês, Apagão Maluco, Solano Reis e Jhuly Ramazotti, Avelar voltou a abordar um dos temas que considera mais urgentes: o feminicídio.
Questionado sobre como reduzir os índices de violência contra a mulher, o ex-secretário afirmou que o problema precisa ser tratado com transparência e sem soluções simplistas.
Segundo ele, grande parte dos casos acontece dentro de residências, longe dos olhos das forças de segurança.
“A gente tem que largar de ser hipócrita, tem que tomar vergonha na cara e parar de ficar andando em círculo.”
Avelar argumentou que não existe possibilidade de colocar um policial dentro de cada residência e, por isso, o enfrentamento precisa envolver prevenção, educação, sociedade e políticas públicas.
Ele destacou novamente o Viva Flor como uma ferramenta de proteção desenvolvida e ampliada durante sua gestão.
O dispositivo possui localização por GPS e, quando acionado pela vítima, permite que a viatura mais próxima seja direcionada para o local.
Para Avelar, a expansão da ferramenta representa uma mudança importante na proteção das mulheres ameaçadas.
Mas ele também defende que a resposta comece muito antes do feminicídio.
“Eu acho que a gente tem que interromper o processo no decorrer do processo, logo do começo.”
Na avaliação do ex-secretário, agressões e ameaças contra mulheres devem receber uma resposta mais rigorosa justamente para impedir que a violência avance para estágios ainda mais graves.
Segurança não se resolve somente com polícia
Avelar também ampliou a discussão para a educação.
Para ele, o combate à violência contra a mulher precisa começar ainda na formação das crianças e adolescentes, ensinando respeito e convivência.
A proposta, segundo sua visão, não produziria resultados imediatos, mas poderia gerar mudanças estruturais no médio e longo prazo.
“A gente tem que começar a conversar com processos de educação já dos jovenzinhos, desde criança, aprender a respeitar as meninas.”
O ex-secretário também defendeu que essa discussão seja tratada como uma política de Estado, independentemente do presidente, governador ou partido que esteja no poder.
Menoridade penal também entra na pauta
Na entrevista à rádio, Avelar ainda criticou o que considera uma defasagem entre a legislação e a realidade atual.
Ele questionou a ideia de que adolescentes envolvidos em crimes graves não tenham plena compreensão da gravidade de seus atos.
Na visão do ex-secretário, o debate precisa considerar a realidade da sociedade atual e casos de adolescentes envolvidos em crimes violentos.
A intenção declarada é levar essas discussões para o Congresso Nacional caso seja eleito.
Da gestão pública para a disputa eleitoral
A semana de Avelar foi marcada, portanto, por uma agenda que combinou entrevistas, debate institucional e apresentação de propostas.
De um lado, o ex-secretário procura destacar o trabalho realizado à frente da Segurança Pública do DF, especialmente em áreas como prevenção, proteção às mulheres, tecnologia e integração entre forças.
De outro, começa a apresentar ao eleitorado uma agenda nacional que pretende levar ao Congresso, envolvendo audiência de custódia, legislação penal, violência doméstica, responsabilização de menores e fortalecimento das instituições.
E é nesse contexto que Avelar sobe o tom ao falar da atual crise institucional.
Sua mensagem é direta: quando o assunto envolve a credibilidade das instituições brasileiras, a indignação não deveria escolher partido, ideologia ou lado político. O que está em jogo, segundo ele, é um interesse que pertence a todos os brasileiros.

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