Virou o ano, e com ele a política deixa de ser conversa de bastidor para se tornar preocupação real. É neste momento que campanhas de vereadores, prefeitos e líderes estaduais entram em ebulição. Não é mais tempo de discurso solto, mas de alianças, aquelas que podem levar ao sucesso ou conduzir ao fracasso.
Em Goiás, há muitos prefeitos perdendo o sono. Como dizia minha avó: “Quando o sapato aperta, até quem dizia não ter medo começa a andar devagar.” E o andar tem sido lento, cauteloso e cheio de dúvidas.
A projeção nacional de Ronaldo Caiado não sai da casa dos 4%. Um número pequeno para quem governa um estado com alta aprovação. Mas o que isso revela? Falta de partido forte? Falta de discurso nacional? Ou o peso das contradições?
Essa fragilidade ameaça diretamente a campanha de Daniel Vilela. E não é a única ameaça. Marconi Perillo entrou no jogo. E, como se não bastasse, surge o senador Wilder Morais, do PL bolsonarista. Se Wilder vier ao jogo majoritário, de onde sairão seus votos? De Marconi? De Daniel? De ambos?
Se isso acontecer, o segundo turno deixa de ser hipótese e passa a ser possibilidade concreta. E aí surge a pergunta central: em um eventual segundo turno, quem terá o apoio de Wilder Morais?
Daniel é MDB, está na base de Lula. Marconi é PSDB, também dialoga com a base do governo Lula. Wilder, por outro lado, representa o bolsonarismo raiz. Como conciliar esses mundos? Com quem ele caminharia?
Talvez esteja aí o nó da questão. O partido pode estar sendo o maior obstáculo para Daniel crescer. Caiado critica o governo Lula, mas seu partido e o vice estão no governo. Como o eleitor interpreta isso? Como coerência ou como contradição?
Enquanto isso, um fenômeno avança silenciosamente: o eleitor quer posicionamento claro. Direita ou esquerda. Neutralidade virou desconfiança. Até marcas comerciais, como a Havaianas, sentem os efeitos ao se posicionarem politicamente em campanhas publicitárias.
Caiado, sem um partido para chamar de seu, vê sua candidatura nacional praticamente inviabilizada. Mesmo sendo um dos governadores mais bem avaliados do país, não conseguiu se consolidar como terceira via para a Presidência.
Nesse tabuleiro, a eleição de Daniel ou de Marconi pode acabar passando pelas mãos de Wilder Morais. Há quem diga, inclusive, que o senador pode surpreender e vencer.
Wilder não tem muito a perder. É senador, pode se afastar e retornar ao cargo. Aceitar ser vice em uma chapa ligada à base de Lula parece improvável — para não dizer improvável demais. Política tem loucuras, mas até a loucura tem limite.
E então fica a pergunta, no melhor estilo socrático:
Se a política fosse uma corrida de cavalos, em qual jóquei você apostaria sua ficha?
O jogo está longe do fim. Mas uma coisa é certa: quem anda devagar demais pode não chegar a tempo.
