Eleito prefeito de Novo Gama em 2020 pelo Partido Liberal, Mangão obteve 46% dos votos válidos em uma disputa marcada pela fragmentação do eleitorado. Quatro anos depois, foi reconduzido ao cargo pelo mesmo partido, desta vez com uma vitória expressiva: 78,82% dos votos, resultado que o consolida como uma das principais lideranças municipais do Entorno do Distrito Federal. Novo Gama, com 103.804 habitantes, é hoje a 15ª cidade mais populosa de Goiás, segundo dados do IBGE, e ocupa posição estratégica no tabuleiro político estadual.
Recentemente em entrevista, o prefeito atribui o salto eleitoral à ampliação dos investimentos em áreas sensíveis como saúde, educação e infraestrutura, impulsionados por convênios firmados com o Governo de Goiás. Na avaliação de Mangão, a atual gestão estadual tem dedicado maior atenção ao Entorno do DF, historicamente negligenciado pelo poder público, e essa aproximação se refletiu diretamente no resultado das urnas.
Esse alinhamento explica, em parte, a posição adotada por Carlinhos do Mangão no cenário pré-eleitoral de 2026. Embora filiado ao PL, o prefeito integra o grupo de gestores municipais da sigla que declaram apoio ao projeto político de Daniel Vilela (MDB). O gesto, inclusive, foi formalizado em vídeo divulgado nas redes sociais. O discurso é pragmático: “não se mexe em time que está ganhando”. No entanto, Mangão aponta que a decisão vai além da lógica administrativa.
Segundo ele, há um desgaste interno no PL, provocado pela falta de diálogo entre a direção nacional e as lideranças municipais, especialmente prefeitos e vereadores. Essa ausência de interlocução, afirma, tem gerado animosidades e enfraquecido a coesão partidária. O prefeito estende a crítica ao cenário nacional, citando a condução do processo sucessório no campo bolsonarista, com a escolha de Flávio Bolsonaro sem ampla consulta às bases, o que, em sua visão, evidencia a necessidade de reorganização do projeto político do partido.
Ao mesmo tempo, Carlinhos do Mangão faz questão de ressaltar o peso eleitoral do Entorno do Distrito Federal, região que soma cerca de 1,4 milhão de habitantes e aproximadamente 800 mil eleitores. Para ele, o Entorno deixou de ser apenas um coadjuvante nas eleições goianas e passou a ocupar papel decisivo, fruto de uma população mais politizada e consciente de sua força nas urnas.
Nesse contexto, o prefeito defende que o próximo governador de Goiás deve olhar para a região “com carinho” e considera natural que o Entorno tenha protagonismo na composição da chapa majoritária. O recado é direto: a escolha do vice de Daniel Vilela deve levar em conta o capital político e eleitoral dessa região, sob pena de ignorar um dos maiores colégios eleitorais do estado.
